DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL COMO "GUERRA DE NOVA MODALIDADE"

 



Ivomar Schuler da Costa

Nas novas modalidades da guerra qualquer meio serve como arma. Quanto mais este meio puder dissimular a intenção de quem o utiliza, mais efetivo ele será. Uma das modalidades de guerra que parece até agora não ter sido detectada pelos especialistas brasileiros, ainda muito afeitos às modalidades que os grandes centros e as potencias atuais divulgam, certamente com a intenção de obscurecer o que realmente estão fazendo, é a “guerra intelectual”.

Não se trata simplesmente da “guerra contra a inteligência” divulgada por alguns “gurus” da Direita; aliás, a guerra contra a inteligência é apenas um dos campos de batalha de uma modalidade mais ampla, a “guerra contra a identidade humana” (ou guerra identitária). A guerra intelectual é uma parte importante do processo de submissão de uma população, seja uma parte de um país ou o país inteiro. (guerra contra a inteligência difere da guerra intelectual. Na primeira o alvo da violência é a inteligência dos indivíduos; na segunda a intelectualidade é a arma utilizada!)

Nessa guerra, uma das mais importantes é a “Batalha pela liderança intelectual”. Esta é a primeira grande batalha a ser travada. Infelizmente os analistas brasileiros não percebem (ou fingem não perceber) que as propostas sustentabilistas são ideologias cujo objetivo é a submissão intelectual do país. Nesta luta ajuda muito aos atacantes se o país em questão agasalhar em si um sentimento de inferioridade (síndrome de “vira-lata”) intelectual, o que o torna mais propenso a acatar as ideias dos “pensadores” dos grandes centros acadêmicos e hegemônicos em detrimento das ideias e propostas dos pensadores autóctones, tão ou mais cientificamente legítimos do que as ideias dos primeiros. Outro fator de facilitador do processo de submissão intelectual do país é se ele foi colonizado por potencias da mesma procedência da que tenta a dominação. É fato conhecido que a colonização intelectual perdura muito mais tempo após o país ter se libertado do seu colonizador. Dificilmente um país colonizado consegue a autonomia intelectual de imediato.

A etapa da guerra pela liderança intelectual é vencida quando a maioria das universidades, dos grandes centros acadêmicos, a grande mídia e a maior parte das associações profissionais acatam as idéias estrangeiras e as retransmitem, dando-lhes legitimidade. 


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