MODELOS BÁSICOS ALTERNATIVOS DE DESENVOLVIMENTO
Ivomar Schuler da Costa
Importante destacar que
toda proposta de desenvolvimento parte de uma visão antropológica e de uma
visão política. Não deve passar em branco que ambas estão interligadas. A
proposta de Desenvolvimento, e não ele propriamente, se configurará em
consonância com estas duas visões. A visão política geralmente (mas nem sempre)
será uma decorrência da visão antropológica. E, dependendo da visão política,
teremos basicamente dois modelos alternativos: um será autoritário e o outro
será democrático. Em traços rápidos, vejamos como se formatam.
O modelo autoritário é
nitidamente materialista e economicista, por isso geralmente é defendido e
implantado por marxistas de todos os matizes; a decisão e geralmente a execução
das ações para o desenvolvimento partem de cima para baixo, do governo para a
população, do estado para a sociedade. Busca invariavelmente a aplicação em
estruturas básicas para o fomento econômico, como as logísticas, por exemplo; a
economia é incentivada à produção de bens de consumo para atender ao “Wellfare
State”, para manter a sociedade satisfeita e controlada. O ser humano é apenas
o paciente do desenvolvimento, que é feito pelo estado para ele. Neste modelo a
soberania é do Estado ou de uma classe, grupo ou partido dentro do Estado. Na
atualidade o país que melhor reflete este modelo é a China.
O modelo democrático é
defendido pelos liberais, porém, nem todos que assim se denominam realmente
defendem a liberdade. A liberdade é da essência da democracia, Nem todos estes
podem ser chamados de “liberais” no sentido clássico do termo, porquanto há os que
defendem “governos mundiais” e são, portanto, contra a soberania das nações e
contra os estado-nações; há aqueles que defendem liberalidade somente na
economia, sem se importarem com os aspectos políticos; também há os
ultra-liberais, para os quais a vida não é um valor fundamental. Alguns chegam
a defender liberalização do uso de drogas porque o consumo aumentaria a
arrecadação dos impostos. No extremo do espectro temos os anarco-capitalistas,
para quem a liberdade é o valor único, tanto que pregam a eliminação da
autoridade. Enfim, precisamos separar os gatos das lebres.
Neste modelo, o processo
de decisão inclui a população, e dependendo do caso, as populações locais. É um
processo de baixo para cima, numa linha ascendente. Não quer isso dizer, contudo,
que o estado e os técnicos do não influam nestas decisões, mas sim que o
primeiro impulso vem da população, que declara suas necessidades e vontades,
que depois serão analisadas e avaliadas do ponto de vista da sua viabilidade
técnica. Busca-se também, indubitavelmente, a formação do capital fixo,
construindo as estruturas necessárias para a produção econômica, mas vão além
delas, ao entenderem que os aspectos políticos e os espirituais de um povo são
tão importantes quanto as estruturas físicas. O homem é visto como devendo ser
o agente do próprio desenvolvimento, e sendo portador de racionalidade, os
grandes temas da nação podem e devem ser debatidos publicamente. O ser humano é
tanto o paciente como o agente do desenvolvimento. Isso, por conseguinte,
implica na transferência de responsabilidade
O bem-estar da população
também é um objetivo, mas a definição do que é bem-estar, assim como os seus
limites sociais, não é determinado pelo estado, ou não o é exclusivamente. O
indivíduo é a base de todo o sistema, por isso o estado e a sociedade trabalham
para e pela sua autonomização. Estado e sociedade devem atuar em conjunto para
gerar o nível de desenvolvimento pretendido, atando cada um dentro dos limites
que relativos permitidos pelas condições locais. Entendemos autonomia como a
conjunção da liberdade de escolha com a auto-suficiência. De nada adiante ter o
poder de escolher sem ser capaz de agir para realizar o escolhido. Os aspectos
morais são igualmente importantes neste modelo. Nenhuma democracia subsiste se
o povo não é portador de certas virtudes morais, assim, não basta o
investimento em infra-estruturas materiais se a moralidade do povo é
insuficiente para manter os valores que a sustentam. Neste modelo a soberania é
do povo, por isso o auscultamento das suas necessidades e desejos é realizado,
para que o estado possa executar a parte que lhe cabe.
Escrito em Abril de 2021

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