RESPONSIVIDADE: O FIO DE ARIADNE DO DESENVOLVIMENTO
Ivomar Schuler da Costa
Reza
a lenda que Jasão, um herói grego, deveria entrar em um labirinto e matar um
monstro, com corpo humano, mas com cabeça de touro. O bicho era feroz; a cada
ano, jovens eram escolhidos para entrar no labirinto, onde encontrariam a morte
e seriam devorados por ele. Jasão ofereceu-se para o sacrifício, porém,
Ariadne, a filha do rei de Minos, a ilha onde se localizava a famosa
fortificação, enamorada pelo herói, entrega-lhe um rolo de cordão que deveria
ser amarrado na entrada do labirinto, ir sendo esticado até que encontrasse a
quimera em sua furna. Depois de matá-la, o jovem herói poderia retornar e
encontrar a saída dos escuros e amedrontadores túneis. Jasão cumpriu sua tarefa
e retornou para Ariadne.
Todo
mito, mormente os gregos, sempre contém um sentido mais profundo que se refere
à alma humana. Destarte, pode-se inferir que o labirinto é uma metáfora: sempre
há um modo de sairmos do labirinto, da confusão, da escuridão, enfrentarmos a
morte, matarmos os monstros que nos afligem e encontrarmos a luz. Uma
interpretação psicanalítica do mito informa que Ariadne é a nossa alma. É ela
que oferece um meio de matar o monstro que tenta nos devorar. Nossa alma nos
ama, e por isso nos quer vivos. Mas temos de exterminar o monstro para
conseguirmos retornar para o seu amor. Sem o amor não há como sair do
labirinto.
Atualmente,
o nome do Minotauro é Globalismo e um dos corredores escuros em que ele se
esconde é o Desenvolvimento Sustentável. O labirinto é a enorme confusão de
teorias e propostas que visam apenas a confundir-nos, a nos desorientar completamente para que sejamos devorados pela besta apocalíptica. Este ensaio
representa o fio de Ariadne, que pretende contribuir para que se encontre o
caminho de retorno.
A maioria está cega pela escuridaõ do labirinto e acreditando que o Ninotauro é um ser bondoso e que mal nenhum lhes causará.
*Escrito em abril de 2021

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